quinta-feira, 1 de outubro de 2020

STJ nega pedido de Flávio Bolsonaro para anular decisões sobre rachadinha

O ministro do Superior Tribunal de Justiça, Felix Fischer, negou liminar aos advogados do senador Flavio Bolsonaro e deixou para o colegiado da corte decidir um pedido da defesa do parlamentar que tenta anular decisões de um juiz de primeira instância do Rio de Janeiro no caso das rachadinhas da Alerj. Fischer argumentou que não há urgência a ser liminar agora e delegou à quinta turma do STJ a análise do pedido. O juiz da sétima vara criminal do Rio de Janeiro, Flavio Itabaiana, estava na frente do caso da rachadinha na Alerj, especialmente no gabinete do senador Flavio. Porém, em 2020, o Tribunal de Justiça levou o caso para segunda instância por considerar que ele tem direito ao foro privilegiado — embora o suposto delito tenha acontecido no mandato de deputado.

Na decisão do TJ, os desembargadores da Câmara, que reconheceram o foro, decidiram que todas as decisões tomadas ate o momento seriam mantidas. O caso da rachadinha da Alerj emergiu no fim de 2018 no âmbito da Operação Furna da Onça da Lava Jato e mirou deputados da Alerj. Os parlamentares da casa foram alvos da operação e ali nasceram os primeiros relatórios do extinto Coaf, que apontaram movimentações financeiras atípicas em mais de 20 gabinetes — entre eles o do filho do presidente Jair Bolsonaro. O MP-RJ já ouviu o senador e o ex-assessor dele, Fabrício Queiroz. O caso estaria em fase final de conclusão das investigações para, muito em breve, oferecer denúncia contra os dois. Queiroz segue preso em prisão domiciliar em sua casa, em Jacarepaguá, no Rio.

*Com informações do repórter Rodrigo Viga

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Polícia Federal quer bloquear até R$ 1 bilhão do PCC

A Polícia Federal (PF) pretende apreender um R$ bilhão do crime organizado brasileiro até o fim deste ano. A declaração foi dada nesta quarta-feira, 30, logo após a corporação desarticular um braço financeiro que opera em favor do PCC (Primeiro Comando da Capital) há mais de dez anos. A Operação Rei do Crime, realizada em São Paulo, Santa Catarina e Paraná interditou mais de 70 empresas e bloqueou, com autorização da Justiça, contas bancárias que superam R$ 730 milhões.

De acordo com a PF, o esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa era feito por meio de postos de gasolina e de uma distribuidora de combustível. O principal alvo da ação é um homem identificado como Alemão, dono de uma rede de postos de combustíveis e que estaria envolvido em outros crimes do PCC. Segundo o delegado da Polícia Federal, Rodrigo de Campos Costa, a investigação durou um ano e meio e começou com a descoberta do envolvimento de Alemão no assassinato de Gêgê do Mangue e Paca, líderes do PCC, em 2018.

Outro alvo da investigação é uma pessoa que foi condenada pelo envolvimento no assalto ao Banco Central do Brasil, ocorrido em Fortaleza, em 2005. Ao todo, treze pessoas foram presas: quatro delas na Bahia e nove na capital paulista. Além disso, 20 pessoas foram indiciadas e devem responder por organização criminosa e lavagem de dinheiro.  Foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão em apartamentos de luxo e empresas: automóveis, motocicletas, helicópteros, iates, joias e outros objetivos de luxo, no valor de 32 milhões, foram apreendidos.

O coordenador-geral de Repressão a Drogas e Facções Criminosas da Polícia Federal, Elvis Secco, afirma que a lavagem de dinheiro deve ser um dos principais focos na luta contra a facção criminosa. Segundo a PF, o crime era cometido de forma sólida, com uso de laranjas e holdings disfarçadas. Dos 110 postos de combustíveis da rede, a investigação identificou que cerca de 50 foram usados no esquema. A Polícia Federal pediu à Justiça, no entanto, que as empresas usadas no crime sigam em funcionamento e passem a ser administradas pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas do Ministério da Justiça. O objetivo é evitar prejudicar a vida dos funcionários e terceiros envolvidos.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini

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Sem acordo, Alesp adia discussão sobre reforma administrativa em SP

Pelo segundo dia seguido, os deputados estaduais de São Paulo não chegaram a um consenso e não conseguiram votar o projeto de reforma administrativa encaminhado pelo governador do estado de São Paulo, João Doria. Na quarta-feira, 30, parlamentares tentaram encerrar a discussão sobre o ajuste fiscal e logo o colocar em votação, o que foi negado por falta de quórum mínimo. O objetivo do projeto de lei é diminuir o prejuízo financeiro causado pela pandemia e estancar o rombo fiscal projetado para 2021 de mais de R$ 10 bilhões.

A proposta prevê a extinção de 10 estatais e autarquias, a venda de imóveis, a privatização de entidades e a concessão de 13 parques à iniciativa privada, entre eles, o Parque Villa Lobos e o da Água Branca, localizados na Zona Oeste da capital paulista. Um dos pontos mais polêmicos do texto foi a extinção de autarquias como a EMTU, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo, e a CDHU, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo. A proposta de acabar com as entidades levou a protestos na porta da Assembleia nesta quarta-feira. Com cartazes e faixas, manifestantes pediam a continuidade das entidades. Sem acordo, a discussão deve ser retomada na semana que vem.

*Com informações do repórter Leonardo Martins

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Governo federal celebra resultado de leilão de saneamento em Alagoas

Governo federal comemora resultado de leilão de saneamento em Alagoas que teve oferta vencedora de quase R$ 3 bilhões. O processo, de responsabilidade do estado, é o primeiro desde a aprovação do marco legal do setor pelo Congresso Nacional, em junho. O pregão, na B-3 em São Paulo, foi ganho pela BRK Ambiental que ofereceu R$ 1 bilhão a mais do que o segundo colocado. A companhia, controlada pela Brookfield, obteve um contrato de 35 anos para operar serviços de água e esgoto em 13 cidades da grande Maceió. O leilão só pôde ser feito, nesta quarta-feira, 30, depois que o governo de Alagoas derrubou uma liminar impedindo o certame.

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, avalia que o resultado comprova a necessidade do investimento privado no país. Ele espera que o veto à restrição de renovação de contratos das estatais no marco do saneamento seja mantido.  De acordo com o governador de Alagoas, Renan Filho, também presente ao leilão, questões corporativas tentaram derrubar o processo. Agora, ele espera que outras áreas do saneamento do estado sejam repassadas à iniciativa privada.

O diretor da BRK Ambiental, Sérgio Garrido de Barros, promete investimentos com apoio dos bancos públicos. Por contrato, a BRK Ambiental não poderá onerar os consumidores com reajustes fora dos períodos normais. No total, sete consórcios concorreram pela exploração do saneamento de 13 cidades da grande Maceió.

*Com informações da repórter Nanny Cox

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TCU dá prazo até segunda-feira para INSS criar protocolo de perícia por telemedicina

O Instituto Nacional do Seguro Social  (INSS) tem até a próxima segunda-feira, 05, para elaborar um protocolo para a realização de perícias médicas por telemedicina. A determinação foi confirmada nesta quarta-feira pelo plenário do Tribunal de Contas da União (TCU). Uma decisão provisória já havia sido dada pelo ministro Bruno Dantas na última sexta-feira, 25, mas o prazo passou a contar nesta segunda-feira, quando o Ministério da Economia foi notificado. Para o relator, o INSS deve parar com a objeção à aplicação da lei de telemedicina.

Bruno Dantas atendeu a um pedido do Conselho Nacional de Justiça, que está preocupado com o aumento da judicialização por falta de perícia. Por causa da pandemia, a telemedicina foi autorizada emergencialmente por uma lei de abril deste ano. Em seguida, o CNJ publicou uma resolução permitindo este tipo de perícia, mas os procedimentos não foram implementados. No dia 18 de setembro, o governo determinou que os peritos do INSS voltassem às atividades presenciais. A Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social, no entanto, se posicionou contra o retorno e acionou a Justiça. Atualmente, o instituto tem 3,5 mil peritos, mas, mesmo nos postos reabertos, parte dos profissionais deve seguir em trabalho remoto.

*Com informações do repórter Afonso Marangoni 

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quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Lei que prevê multa de até R$ 1 bi para irregularidades em barragens é sancionada

O presidente Jair Bolsonaro sancionou nesta quarta-feira, 30, o projeto que muda as regras de controle de barragens e estipula, em até R$ 1 bilhão, o valor da multa para empresas que descumprirem normas de segurança. A informação foi divulgada pelo Palácio do Planalto, e a lei deve ser publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira, 1º de outubro. De acordo com o governo, o presidente “decidiu vetar alguns dispositivos” que haviam sido aprovados no Congresso.

Bolsonaro vetou, por exemplo, a destinação das multas por infração administrativa à melhoria de ações dos órgãos de fiscalização. Segundo o parecer técnico que embasou o veto, o projeto de lei estabelecia vinculação de receita sem indicar uma cláusula de vigência, o que afronta a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O governo não divulgou quais outros pontos foram vetados. A multa de até RS 1 bi foi mantida.

Histórico

Em 2015 e 2019, barragens da mineradora Vale se romperam em Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais. Em Mariana, 19 pessoas morreram. Em Brumadinho, o desastre matou 259 pessoas e 11 ainda estão desaparecidas. Inicialmente, a proposta aprovada pelo Senado previa multas de até R$ 10 bilhões. O valor foi reduzido na Câmara e, em seguida, o Senado aprovou a mudança. Relator do projeto no senado, Antônio Anastasia (PSD-MG) defendeu a manutenção do valor máximo de R$ 1 bi.

“Um valor tão expressivo pode levar – excluindo o caso específico da Vale – as empresas a não terem condições de pagar nada. Então, ao invés de receber um, não recebe nove, oito. Fica um valor que fere um pouco o princípio da proporcionalidade”, disse o senador.

A proposta aprovada no Congresso proíbe também que reservatórios sejam construídos no método de alteamento a montante, o mesmo usado em Brumadinho, em que a barragem vai crescendo em degraus, utilizando o próprio rejeito da mineração. Esse método era comum nos projetos de mineração iniciados nas últimas décadas, mas é considerado a opção menos segura e mais sujeita a acidentes por especialistas.

As mineradoras tem até 25 de fevereiro de 2022 para eliminarem barragens nesse modelo. O prazo ainda pode ser prorrogado, em caso de inviabilidade técnica, a depender da autorização das autoridades de fiscalização. A proposta altera três leis e um decreto presidencial que trata do Código de Mineração – a principal legislação alterada pelo projeto é a que instituiu a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), sancionada em 2010. O texto altera também mecanismos de fiscalização, exercidos por órgãos ambientais integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente. Determina que os órgãos fiscalizadores devem dar ciência ao órgão de proteção e defesa civil quando constatarem a necessidade de medidas emergenciais em relação à segurança das barragens.

O texto também prevê que a fiscalização seja baseada em análise documental, vistorias técnicas, indicadores de segurança e outros procedimentos definidos pelo órgão fiscalizador. O órgão também deve criar um canal de comunicação para o recebimento de denúncias e informações sobre a segurança das barragens e determinar prazos para que o empreendedor cumpra as ações previstas no relatório de inspeção de segurança e na Revisão Periódica de Segurança da Barragem.

* Com Estadão Conteúdo

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Governo deve estender por mais dois meses corte de jornada e salário

O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, afirmou nesta quarta-feira, 30, que há uma “possibilidade grande” de o governo prorrogar por mais dois meses o programa de suspensão de contratos e corte de jornada e salário. Com a decisão, os acordos vão totalizar oito meses. Ao mesmo tempo, ele disse que o benefício pago pelo governo como contrapartida aos trabalhadores com salários reduzidos ou contratos suspensos “não deve extrapolar o ano de 2020”.

O discurso de Bianco reflete a visão da área econômica do governo Bolsonaro de que os auxílios lançados durante a pandemia da Covid-19, mesmo quando prorrogados, devem ser encerrados em dezembro de 2020, para evitar pressão fiscal maior em 2021. O programa foi anunciado em abril como medida para evitar um aumento ainda maior do desemprego diante da pandemia do novo coronavírus, que provocou restrições no funcionamento ou mesmo o fechamento de parte do comércio e da indústria.

A medida provisória inicial, que foi sancionada no início de julho e transformada em lei, previa a suspensão dos contratos de trabalho por até dois meses e a redução da jornada e de salários em até 70% por até três meses. Em julho, o governo publicou a primeira prorrogação do programa, elevando para até quatro meses o período em que as empresas poderiam aderir a uma das modalidades. Em agosto, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a prorrogação da medida por mais outros dois meses.

Programa

Segundo o Ministério da Economia, até o momento, 18,4 milhões de acordos desse tipo foram firmados por aproximadamente 1,4 milhão de empresas. O total de trabalhadores atingidos é de 9,7 milhões — muitos foram impactados por mais de um acordo. O de serviços é responsável pela maior parte das reduções, com 9,3 milhões, seguido de comércio (4,6 milhões) e indústria (3,9 milhões). Há ainda acordos no setor de construção (422 mil) e agropecuária (51 mil). O governo já desembolsou R$ 28,5 bilhões para pagar o complemento que cada trabalhador atingido pelo corte tem direito. O total reservado para o programa é de R$ 51,6 bilhões. A sobra de recursos foi um dos motivos que levaram a equipe econômica a propor uma nova prorrogação do programa.

* Com informações do Estadão Conteúdo

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