segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Brumadinho: o que se sabe até agora sobre a tragédia

O rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, completa quatro dias nesta segunda (28). Cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos da represa desceram sobre a região, atingindo, além da própria área administrativa da barragem, o Córrego do Feijão, casas, propriedades rurais e o rio Paraopeba, um dos afluentes do São Francisco.

A barragem pertence à Vale, mineradora que também esteve envolvida no desastre de Mariana, em 2016. Na ocasião, cerca de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos da barragem de Fundão desceram sobre o Rio Doce, matando 19 pessoas.

Saiba mais sobre a tragédia de Brumadinho:

Vítimas

São 60 os mortos encontrados na lama de rejeitos, 19 deles já identificados pelo Instituto Médico Legal (IML). Outras 292 pessoas ainda estão desaparecidas, segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. 192 foram resgatadas.

Operações de Resgate

Equipes dos Bombeiros e da Defesa Civil de Minas trabalham no local na tentativa de encontrar sobreviventes e retirar corpos da lama. As buscas haviam sido interrompidas no domingo (27), com o receio de que outra barragem da região se rompesse, o que mais tarde foi descartado pelo comando da operação.

Na manhã de segunda (28), 132 militares de Israel desembarcaram em Belo Horizonte para auxiliar nas buscas. A equipe de soldados possui equipamentos especializados para resgates em desastres naturais, como detectores de sinais sonoros, radares, câmeras, drones e máquinas hidráulicas. A ajuda foi oferecida pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Bolsonaro

No sábado, 26, o presidente Jair Bolsonaro sobrevoou a área atingida pelo rompimento. Ele ainda anunciou a criação de um comitê envolvendo ministérios, a Defesa Civil, o Governo de Minas Gerais, o Ministério Público e outros órgãos para acompanhar as ações na região.

“Difícil ficar diante de todo esse cenário e não se emocionar. Faremos o que estiver ao nosso alcance para atender as vítimas, minimizar danos, apurar os fatos, cobrar justiça e prevenir novas tragédias como a de Mariana e Brumadinho, para o bem dos brasileiros e do meio ambiente”, disse Bolsonaro em seu Twitter.

Vale

A Justiça já bloqueou R$11 bilhões de reais do caixa da Vale desde sexta-feira. Do valor, R$6 bilhões serão destinados às vítimas da tragédia e R$5 bilhões servirão para a adoção de medidas emergenciais de reparação do dano ambiental. As ações foram movidas pelo Ministério Público e pelo governo de Minas.

O presidente da empresa, Fabio Schvartsman, esteve na região do rompimento neste domingo (27) e voltou a lamentar o ocorrido. “Impossível vir aqui e não ficar emocionado com a tristeza da situação e o esforço sobre-humano de todos para tentar ajudar”.

O executivo ainda anunciou que irá apresentar nos próximos dias um plano de trabalho para evitar que desastres como o de Brumadinho não se repitam. “Iremos acima e além das normas de segurança mundiais e brasileiras com relação a barragens”, disse.

Ministro do Meio Ambiente

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã desta segunda (28), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, lembrou que “segurança da barragem não é tema do Ministério, e sim do Ibama”. Ele também negou que a pasta tenha a intenção de flexibilizar processos de licenciamento ambiental para barragens de mineração, afirmando que a burocracia do setor atrapalha a fiscalização.

“Hoje os órgãos ambientais estão abarrotados de análises de licenciamento com menor relevância, quando a regra básica de administração é priorizar o médio e alto impacto. O corpo técnico acaba dispersando energia em temas que não são relvantes em vez de se dedicar com mais afinco aos mais relevantes e que exigem mais aprofundamento”, criticou Salles.

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