terça-feira, 31 de março de 2020

Ministro do STF proíbe campanhas contra isolamento durante pandemia de coronavírus

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça, 31, proibir a produção de circulação de campanhas publicitárias que sugiram o retorno da população às atividades plenas durante o período de isolamento social adotado para conter o novo coronavírus.

Pela decisão de Barroso, o vídeo “O Brasil Não Pode Parar”, atribuído à Secretaria de Comunicação da Presidência da República, deverá ser retirado das páginas na internet e redes sociais. A Secom afirma não ter aprovado a campanha. Em nova divulgada no dia 27, a secretaria afirmou que o vídeo foi produzido em caráter experimental, “a custo zero e sem avaliação e aprovação da Secom”.

“A peça seria proposta inicial para possível uso nas redes sociais, que teria que passar pelo crivo do Governo. Não chegou a ser aprovada e tampouco veiculada em qualquer canal oficial do Governo Federal”, acrescenta o comunicado.

Barroso atendeu a um pedido liminar protocolado pela Rede Sustentabilidade. Segundo o Ministro, as orientações da área da saúde devem ser seguidas e a “suspensão das medidas de distanciamento social, como informa a ciência, não produzirá resultado favorável à proteção da vida e da saúde da população”.

“Defiro a cautelar para vedar a produção e circulação, por qualquer meio, de qualquer campanha que pregue que “O Brasil Não Pode Parar” ou que sugira que a população deve retornar às suas atividades plenas, ou, ainda, que expresse que a pandemia constitui evento de diminuta gravidade para a saúde e a vida da população. Determino, ainda, a sustação da contratação de qualquer campanha publicitária destinada ao mesmo fim.”

Luís Roberto Barroso também determinou que Google, Instagram, Twitter, Facebook, Telegram e Whatsapp sejam informadas da decisão.

* Com Agência Brasil

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América chegará ao pico de infecções por coronavírus em 1 ou 2 meses

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou, nesta terça-feira (31), que a situação do coronavírus vai “escalar e piorar” na América até atingir o pico, provavelmente em um ou dois meses. No entanto, o continente ainda tem uma chance de mitigar o impacto.

“Nas últimas semanas, a pandemia na América se intensificou e tende a piorar, e não a melhorar, como aconteceu em outras regiões do mundo”, disse a diretora da OPAS, Carissa F. Etienne, em uma apresentação virtual sobre a evolução da Covid-19.

Dados da agência indicam que, até o dia 30 de março, a América havia relatado 163.068 casos confirmados e 2.836 mortes.

A maioria das infecções (86%) e mortes (85%) foi registrada nos Estados Unidos (174.467 casos e 3.416 mortes) “que continuam na fase de aceleração”, seguido por Brasil, que hoje registrou mais de 5.700 infectados, Chile (cerca de 2.700) e Equador (mais de 2.200).

Um ou dois meses

Enquanto foi relatado hoje que a Itália atingiu o pico da curva de infecção, e na Espanha estimam que esta fase está próxima, a OPAS observa que, embora seja difícil prever, este ponto na América pode ocorrer em “um ou dois meses”.

“Isto dependerá das circunstâncias específicas de cada país e das medidas que tenham tomado em termos de distanciamento social e identificação de casos”, disse Ciro Ugarte, diretor do Departamento de Emergências de Saúde da OPAS.

“Alguns já estão começando a mostrar que o controle da doença está chegando ao seu limite, no entanto, ainda vemos que o patamar pode ser estendido além disso, e nas estimativas preliminares estamos falando de um ou dois meses”, acrescentou.

Quarentena

Ugarte afirmou, ainda, que embora alguns governos tenham fixado para meados de abril a data para suspender ou relaxar o distanciamento social, uma avaliação de risco precisa ser feita em cada país e levar em conta como a doença está se comportando em outras regiões.

“Em países como Estados Unidos e outros da América Latina, estão prolongando esse período, e eu acho que essa é uma medida que eles têm que considerar para reduzir a transmissão”, alertou.

Embora muitos locais tenham aplicado medidas de distanciamento social, incluindo quarentenas massivas e obrigatórias, governos como os de EUA, Brasil, México e Canadá têm mostrado resistência devido ao impacto econômico.

A diretora da OPAS disse hoje que, embora “tais medidas possam parecer drásticas”, elas são a “única maneira de evitar que os hospitais fiquem sobrecarregados por muitos doentes em muito pouco tempo”.

Etienne pediu, ainda, para que os países que ainda não se movimentaram implementem as ações o mais rápido possível.

Janela de tempo para reduzir propagação

Os números mostram que a região entrou em uma nova fase, com vários países com transmissão comunitária. Entretanto, segundo a diretora da OPAS, a América ainda tem “uma janela de tempo para poder agir e reduzir a velocidade da propagação”.

Por isso, pediu aos países que tomem medidas urgentes para preparar hospitais e centros de saúde para o que está por vir: “um afluxo de pacientes com Covid-19 que precisarão de espaço hospitalar, leitos, profissionais de saúde e equipamentos médicos”.

“A região será capaz de salvar vidas, mas somente se agirmos agora, o que fizermos hoje será decisivo”, acrescentou, observando que o coronavírus colocou os sistemas de saúde americanos à prova. A agência está trabalhando com os governos para fortalecer a capacidade de resposta, especialmente em países com recursos limitados.

* Com EFE

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Donald Trump considera proibir viagens do Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 31, que considera proibir viagens do Brasil e de outros países para os Estados Unidos por conta do exponencial aumento dos casos de coronavírus diagnosticados no país nos últimos dias.

Ao ser questionado em coletiva realizada na Casa Branca, sobre a possibilidade de impor uma proibição de países como o Brasil, o republicano disse que está “absolutamente” pensando nisso. Segundo Trump, até poucos dias atrás o Brasil não tinha problemas com a covid-19, mas que agora o país começou a ver os casos aumentarem.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os Estados Unidos tem mais de 140 mil casos da doença, que já fez mais quase 4 mil vítimas.

* Com Estadão Conteúdo

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Maia responde Guedes: ‘Governo pode editar MP para liberar auxílio de R$ 600’

Visivelmente irritado, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), respondeu a declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o repasse do governo ao auxílio emergencial, ao que o deputado chamou de “transferência de responsabilidade” por parte do economista. “Sem nenhuma crítica, apesar de que seriam merecidas em relação à fala mais uma vez do ministro da Economia transferindo a terceiros responsabilidades dele”, disse.

Mais cedo, o ministro da Economia sugeriu que ainda precisa da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do “orçamento de guerra” para a expansão dos gastos para poder liberar o auxílio de R$ 600. Isso apesar do Supremo Tribunal Federal (STF) ter aberto o caminho para a expansão dos gastos com a flexibilização da aplicação de leis orçamentárias e fiscais.

Maia usou o plenário da Câmara para comentar as declarações. “Guardei um pouco para explicar aos deputados o que disse o ministro Paulo Guedes. Não estou aqui para transferir responsabilidade para ninguém, estou aqui para construir com deputados e governo as soluções. Mas acho importante, porque o que o Guedes falou hoje, se ele estiver certo hoje, o governo mentiu na ação que impetrou no STF com o ministro Alexandre de Moraes.”

O presidente da Câmara declarou que defende a PEC por acreditar que irá garantir um arcabouço legal melhor pro Executivo para todas as despesas que terão de ser aprovadas. “Mas esse pleito ao STF garante ao governo a possibilidade, a certeza, da edição de uma MP de crédito pra pagar os R$ 600 do auxílio”, disse. “Todos nós brasileiros aguardamos ansiosamente a sanção do presidente”, afirmou.

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Senado aprova projeto que vai transferir R$ 2 bi para Santas Casas

O Senado aprovou um projeto definindo que o governo federal vai transferir até R$ 2 bilhões para Santas Casas e hospitais filantrópicos no combate ao novo coronavírus. A proposta ainda depende de votação na Câmara dos Deputados e de sanção presidencial.

Pelo texto, o governo deve fazer a transferência em duas semanas a partir da publicação da lei.

O PL foi apresentado pelo senador José Serra (PSDB-SP), que justificou que as Santas Casas respondem por mais da metade de todos os atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta permite que os recursos sejam usados para diversas finalidades, desde a compra de medicamentos até a realização de reformas para ampliação de leitos hospitalares.

No último dia 26, a Caixa anunciou R$ 33 bilhões em linhas de crédito para combater a pandemia de Covid-19. Os novos recursos serão repassados para linhas como capital de giro, compra de carteiras, além do crédito agrícola. O projeto aprovado no Senado deixa claro que o auxílio de R$ 2 bilhões não depende de dívidas com tributos e contribuições.

O relator da proposta, Major Olimpio (PSL-SP), alterou o texto para retirar os R$ 2 bilhões do limite mínimo constitucional para as despesas de saúde. A União é obrigada a aplicar o valor empenhado na área no ano anterior somada à variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB). Na prática, o governo federal poderá fazer a transferência às Santas Casas sem ter de reduzir outros gastos.

O critério de rateio do valor deverá ser definido pelo Ministério da Saúde, de acordo com o projeto. A pasta precisará, no entanto, levar em consideração os municípios que possuem presídios. As instituições beneficiadas deverão ainda prestar contas aos respectivos fundos estaduais, distrital ou municipais sobre a aplicação do montante.

* Com informações do Estadão Conteúdo

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TJ-RS proíbe corte de serviços de telecomunicações em todo o País

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) proibiu o corte de serviços de telecomunicações por falta de pagamentos em todo o País. A decisão, em caráter liminar, foi concedida em uma ação civil pública do Fórum Nacional de Entidades Civis de Defesa do Consumidor e cita as empresas Claro, Oi, TIM e Vivo.

Na decisão, a juíza Debora Kleebank, da 15ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, afirma que o estado de calamidade pública, decretado em razão da pandemia do novo coronavírus, justifica que o pedido seja aceito. Segundo ela, os impactos econômicos da crise vão atingir os trabalhadores autônomos, o que “culminará na elevação do número de inadimplentes, gerados pelo quadro de recessão imposto”.

“Desta forma, diante da gravidade do atual quadro e em razão das dificuldades financeiras impostas pelo isolamento determinado, é óbvio que a manutenção de qualquer cláusula que permita o corte do serviço de comunicação por inadimplência de serviço essencial vai de encontro à política estabelecida pelo Poder Público, devendo ser vedada, pelo menos enquanto perdurar o estado de calamidade”, diz o despacho.

A juíza destaca a necessidade de resguardar a continuidade dos serviços essenciais de telefonia, como telefonia móvel e internet. Além de proibir cortes, a juíza determinou o restabelecimento dos serviços que já foram interrompidos por falta de pagamentos enquanto perdurar a pandemia, “sob pena de multa diária no valor de R$ 10.000,00”.

* Com informações do Estadão Conteúdo

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Em tom moderado, Bolsonaro cita cautela e diz que é preciso evitar ‘destruição de empregos’

Em pronunciamento nesta terça-feira (31), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que é preciso evitar a “destruição de empregos” diante da crise provocada pelo novo coronavírus. Em tom moderado, o presidente ainda pediu cautela e garantiu que a missão é “salvar vidas”.

“Estamos diante do maior desafio da nossa geração. Minha missão sempre foi salvar vidas, tanto aquelas que perderemos durante a pandemia, quanto as que serão atingidas pelo desemprego, violência e fome”, disse.

O presidente afirmou que as medidas de enfrentamento ao coronavírus “deverão ser implementadas de forma racional, responsável e coordenada”.

“Temos uma missão: Salvar vidas sem deixar para trás o emprego. Temos que combater o desemprego que cresce rapidamente entre os mais pobres. O vírus e uma realidade e não existe vacina ou remédio cientificamente comprovado. Devemos evitar a destruição de empregos”, disse Bolsonaro.

O presidente ainda voltou a citar o discurso desta segunda do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, para abordar a ajuda aos mais pobres e aos trabalhadores autônomos.

Ao relembrar o discurso do chefe da OMS, Bolsonaro afirmou: “Não me valho destas palavras para negar a importância das medidas de prevenção e controle da pandemia, mas para mostrar que precisamos pensar nas mais vulneráveis. O que será do ambulante, da diarista, do vendedor de churrasquinho, do ajudante de pedreiro, do caminhoneiro e dos outros autônomos?”, disse.

O tom de Bolsonaro durante o pronunciamento desta noite foi diferente do adotado na última terça – em que, diferente das medidas adotadas por vários países, pregou que devemos “voltar à normalidade” e que alguns governos devem “abandonar o confinamento em massa, fechamento dos comércios e suspensão dos meios de transporte”

O presidente também ressaltou as medidas de enfrentamento à pandemia que estão vigentes no Sistema Único de Saúde (SUS). “Determinei ao nosso ministro da Saúde que não poupasse esforços, apoiando através do SUS todos os estados, aumentado a capacidade da rede de saúde e preparando-a para a pandemia.”

Ao final do pronunciamento de quase 8 minutos, Bolsonaro agradeceu aos profissionais de saúde, além dos demais Poderes e governadores dos estados.

“Agradeço aos profissionais da saúde, da área de segurança, caminhoneiros e todos os trabalhadores de serviços essenciais que estão mantendo o país funcionando, bem como aos homens e mulheres do campo que produzem nossos alimentos. Com esse mesmo espírito, agradeço e reafirmo a importância da colaboração e a necessária união de todos num grande pacto pela preservação da vida e dos empregos: parlamento, judiciário, governadores, prefeitos e sociedade”, finalizou.

Assista ao pronunciamento completo:

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